<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447</id><updated>2011-10-10T14:42:28.837-07:00</updated><category term='Miudeza de palavra e outros contos da Menina'/><category term='A barata e outros contos da moça'/><category term='DEVANEIOS EM VERSO'/><category term='POESIAS'/><title type='text'>Balbu-cio literário</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-8497869406284721571</id><published>2011-09-25T17:18:00.001-07:00</published><updated>2011-09-25T17:32:40.302-07:00</updated><title type='text'>Entre cravos e gérberas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Parte I&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não havia saído para comprar flores. Olhou para si tão dentro da gordura que escorria do churrasco grego, do mijo que exalava debaixo do viaduto. Duvidava das possibilidades de então. Os amores de outrora ecoavam suspensos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Desceu a rua muito dona de seu próprio bairro e, ao dar por isso, achou graça. Pessoas vestiam roupa de passeio e os moradores de rua perambulavam quase sem roupa no centro da metrópole. Dividia sua atenção entre o rés do chão e o pé direito dos prédios antigos da Avenida São João. Era inverno.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Primeiro tinha que mandar consertar a máquina fotográfica, a loja ficava no nono andar. Claustrofóbico e antigo, o elevador se revelava hipnótico. Há algum tempo lhe dominava aquele impulso de perguntar o que lhe vinha à cabeça e a pergunta soou estranha à ascensorista. Já sonhei sim moça, duas vezes. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se o conserto custasse mais de cem reais, seria melhor comprar outra máquina. Ao final das faturas, depósitos e transferências, sentiu vontade de gérberas. Mas havia também a latência da “tesoura do desejo de mudar”. Queria o corte que dissesse a si mesma quem realmente era ou parecia ser. Entrou então na galeria do filho de Chuck Berry e tudo lhe soou demasiado. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Lembrou-se novamente das flores. Há algum tempo esta troca de delicadeza se rarefazia entre elas. Contudo, gérberas não havia, só vermelhos e brancos cravejavam insistentes. Observou nas pétalas as reentrâncias perfumadas, sofisticadas e obscenas, tentando ignorar aquele frio que lhe vinha do estômago como um mau presságio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O cravo era a flor de uma história muito outra. Pensou em levar as rosas de todas as histórias, mas aquela era a sua e nela não admitia lugares comuns.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-8497869406284721571?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/8497869406284721571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2011/09/entre-cravos-e-gerberas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/8497869406284721571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/8497869406284721571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2011/09/entre-cravos-e-gerberas.html' title='Entre cravos e gérberas'/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-3252747551707569469</id><published>2010-07-31T18:56:00.000-07:00</published><updated>2010-07-31T19:20:51.997-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miudeza de palavra e outros contos da Menina'/><title type='text'>O dente</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;   &lt;br /&gt;Das brancas janelas lavadas de leite surgiam sorrisos inalcançáveis. A raiz não era capaz de para sempre. Isso a assustava, deveras. O corpo.&amp;#160; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Os cabelos não doem quando cortados. Saudade não se corta e dói. Sentiria saudade da plenitude do sorriso , por isso protelava a queda. Mostrava a todos o duro mistério que teimosamente afrouxava-se. Um pedaço de si. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;   &lt;br /&gt;Custava entender e acreditar que no invisível da boca moravam outros ainda mais brancos. Não havia garantia no vazio . Melhor era lamber cuidadosamente a mobilidade. Experimentá-la com os dedos em ligeiras empurradelas que também eram permitidas aos amigos mais caros. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;   &lt;br /&gt;Até que um dia, na hora do lanche: a mordida na maçã: o vazio do pecado.&amp;#160; Se ao menos ele estivesse cravado no fruto proibido. Mas preferiu o infinito do pátio, quem sabe o aconchego de uma&amp;#160; nuvem, sua irmã em cor.&amp;#160; Evaporou deixando apenas um pouco de ar e sangue naquele vão onde a menina meteu a ponta da língua a fim de desvendar o mistério. Vão. O gosto de perda chegou aos olhos.&amp;#160;&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160; &lt;br /&gt; Contaram-lhe que para ter de volta o dente era preciso, em noite de lua cheia, dar as costas para o telhado de casa onde morava e dizer três vezes: telhado, meu telhado/ telhado que eu não chovo/ eu te dou um dente velho/ cê me dá um dente novo... Mas, a fuga do dente silenciava a cantiga enquanto os passos pesados e apressados dos amigos ecoavam em agitada busca. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;   &lt;br /&gt;Os alis eram tantos que a menina já não sabia mais para onde olhar, a água que lhe brotava dos olhos lhe embaçava a vista enquanto o sal lhe chegava a boca. O nó da garganta se desfazia em soluço.&amp;#160; &lt;br /&gt;De trás do bebedouro foi que veio o verbo.&amp;#160; Era um menino grande e bonito que trazia a pepita tão valiosa.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A menina apertou o dente e com mão cheia de si esperou encher a lua.&amp;#160; &lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Priscila Santos&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-3252747551707569469?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/3252747551707569469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2010/07/o-dente.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/3252747551707569469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/3252747551707569469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2010/07/o-dente.html' title='O dente'/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-2633990203374730721</id><published>2010-04-02T13:53:00.001-07:00</published><updated>2010-04-03T18:45:28.398-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A barata e outros contos da moça'/><title type='text'>Ser digital</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pela manhã, no banho, a água lhe escorreu pelo corpo sem indicar caminho algum. Nenhuma combinação de roupas delineou a exata extensão de sua alma. Os dedos nas teclas desenharam telas, abriram e fecharam janelas. Era apenas o tempo: o dia seria quente, embora fosse inverno. Começaram as restituições de imposto de renda. Há linhas de financiamento de crédito para taxistas. O dólar ainda vale o dobro. Trânsito obstruído. Nova obstrução no intestino do vice presidente da repúplica. Senhora de si, selecionou e excluiu as piadas, correntes e publicidades. No MSN, um amigo diz que postou um novo texto e pergunta se ela já leu. Www.blog.... Não consegui registrar o endereço, ela já está diante da crônica do amigo. Posso somente lhes assegurar que era qualquer coisa sobre solidão. Esperançosas de tocar o Outro, digitais ensaiam esquisito balé sobre o &lt;i&gt;touchpad&lt;/i&gt;. Acusado de corrupção o presidente do Senado cita Sêneca: “a injustiça só pode ser combatida com três coisas: o silêncio, a paciência e o tempo”. Lamento não ter conhecido a frase noutra circunstância. Agora o som de uma banda da banda que é umbanda/outra banda da banda é cristã, é kabala, é koorão. Outros querem ser tocados no Skype, Facebook, Orkut, Leskut,Twitter... Morrem mais seis pessoas no país vítimas da gripe H1N1. Off-line. Desligar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Então, o café, o leite, o pão. Antes de sair, a fruta. O sumo cítrico irriga e apaga o digital. Abre a porta. Realidade só.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Priscila Santos&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-2633990203374730721?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/2633990203374730721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2010/04/ser-digital.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/2633990203374730721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/2633990203374730721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2010/04/ser-digital.html' title='Ser digital'/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-6144895262546808839</id><published>2010-01-19T11:32:00.001-08:00</published><updated>2010-04-02T10:42:55.833-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POESIAS'/><title type='text'>Quase crônica</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;A difícil arte de ser mistério implica na brancura da névoa e na efemeridade do som. No olhar duro da verdade que derrete armadilhas, na cumplicididade entre fio e agulha.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Guardar mistérios implica sentir o gosto do silêncio e salivar profundezas. Implica também alguma intimidade com o inefável que se disfarça de clareza.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Guardar mistérios é segredo explodindo em palavra que só palavra quer ser. É também&amp;#160; pausa entre ser e estar para que se conheça a extensão das próprias asas.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-6144895262546808839?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/6144895262546808839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2010/01/quase-cronica.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/6144895262546808839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/6144895262546808839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2010/01/quase-cronica.html' title='Quase crônica'/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-5854333858450953036</id><published>2010-01-12T12:13:00.001-08:00</published><updated>2010-01-12T16:32:55.121-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miudeza de palavra e outros contos da Menina'/><title type='text'>A bola</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Um dia veio a notícia de que não morariam mais ali. O pai foi quem disse. A mãe incrédula não se continha de felicidade, pois não gostava dos vizinhos. Os irmãos ansiavam por um lugar melhor. A menina gostou da notícia mais por atmosfera alheia que por discernimento próprio. Não se incomodava com o barraco, gostava até. Gostava mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Acharam uma casa duas ruas para cima de onde ficava o barraco. A menina ficou frustrada, pois era a primeira vez que se mudava e ir assim para tão perto não tinha graça. Mesmo assim, gostou da casa, ela tinha banheiro com chuveiro, pia e vaso. Era a primeira vez que desfrutaria desse luxos. Na parede da cozinha havia um céu de flores azuis pintado no azulejo. Maravilhou-se.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ajudou sua mãe a lavar a casa, escorregou no sabão e se machucou feio. Teve raiva, no chão áspero do barraco nunca escorregara. Aquele lugar poderia não ser bom. Encafifou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Bom&amp;#160; foi o dia da mudança, todas as coisas sendo postas em caixas, as louças cuidadosamente embrulhadas em jornal. Todos os vizinhos bisbilhotavam lá fora. O caminhão já havia partido com os móveis. Agora, era preciso levar a pé as coisas miúdas e delicadas. Miúda a menina era, delicada era ela: a bola. Lembrou que deixara no fundo do quintal o gigante redondo e rosa que ganhou de alguém na barraca de pesca do parque de diversões. Correu. Ela estava lá, perto do pé de amora, ao lado do balanço. A menina ainda não sabia o que era mudança, mas quando abraçou a bola e olhou despedidamente para o quintal percebeu que esta palavra doía. Sofreu.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;As irmãs chamaram e ela foi, com todo orgulho, agarrada à bola que mal lhe cabia nos braços. Mudar é preciso mesmo quando dói. O sol estava forte e deixava o plástico fininho ainda mais transparente: um grande holofote rosa iluminava o caminho à nova casa. Talvez lá fosse um bom lugar. Duvidou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;“Essa bola vai derreter”, disse uma das irmãs. Então, a menina acelerou o passo a fim de protegê-la dos impiedosos raios do sol. Chegando à nova casa, tratou logo de arranjar um cantinho seguro para a bola. Todas as crianças que tinham uma bola como a dela, já haviam se descuidado. Só a da menina permanecia intacta. Festejou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Tudo foi sendo posto em seu lugar. A casa era grande para os móveis parcos. Havia mais espaço do que qualquer outra coisa. A abundância de ar. A menina, embora não tivesse mais idade para isso, dormiria em seu berço, no quarto de seus pais. Ao fim do dia a casa ainda não havia tomado feição familiar, mas era sua nova casa. Realizou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O quarto em que dormiria parecia um pouco gelado, as paredes brancas não tinham o calor da madeira ferpenta do barraco. Venezianas azuis, piso marrom. Tudo gélido. Era hora de dormir e o sono não vinha, estava arredio, pois não sabia se teria porto seguro na casa nova. Era preciso aconchego para brincar com os sonhos, para brincar com a bola, seu talismã. Nem mesmo o véu que dava ao seu berço ares de realeza fez com que o sono reinasse. A menina pensou que os buraquinhos nele existentes poderia permitir que algo de imaterial invadisse seu reduto de sonhos. Sua mãe já havia, como de costume, lhe dado a benção e fechado delicadamente o véu branco com gotas azuis. Como os anjos não habitariam ali? Mas só por garantia, a mãe ainda lhe disse “Dorme com Deus, minha filha”. Seus olhos boiavam na escuridão, moveu sua pernas compridas e vagarosamente abriu a porta do quarto. Seus pais dormiam já. Foi tateando o desconhecido, sentia a lisa parede. Chegou até a sala, não sabia onde ficava o interruptor. Havia deixado a bola num dos quatro cantos daquele lugar. Uma fresta de lua entrava pela janela, ainda sem cortina. No barraco não havia janelas de vidro, nunca havia visto a luz da noite invadir a casa. Perturbou-se.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas graças à intrusa lua que crescia é que pode ver a bola translúcida com seu rosa imperativo: ela era todo o universo. Alcançou-a. Já não tinha mais o barulho duro dos primeiros dias, seu quicar era chocho já, percebeu isso quando , sem querer, a deixou cair. “Talvez ela logo se vá”, pensou. Como aconteceu com a das outras crianças. Viu a sombra do chacoalhar das folhas na parade, parecia que a noite sabia que ela estava fora do berço e aumentou a lua para denunciar a fuga. Tomou o caminho do quarto e, menos tateante e mais assustada, subiu no berço junto com a bola. Conquistou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Agora conseguiria dormir. Com a bola enroscada às pernas, o berço ficava ainda mais apertado. Quando lhe comprariam uma cama? Estava quase perdida no onírico brinquedo quando a luz que estava na sala fez-se perceber no quarto. O vento uivava agonizante. “Será que vai chover?”. Agarrava-se a esta possiblidade para não concluir que”Esta casa é mal assombrada”. Diversas vezes ouviu suas irmãs contarem histórias de espíritos que voltam para assustar as pessoas. Não sabia muito bem o que eram espíritos, mas devia ser qualquer coisa como fumaças dançantes em forma de gente. Por um momento acreditou estar vendo uma fumacinha roxa que se movia vagarosamente, sem querer ser notada no intervalo silencioso dos tique-taques do despertador. Ninguém ao seu redor. Não sabia quem havia morado ali, morrido ali. Apavorou-se&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Tirou a bola das pernas e a comprimiu com força contra seu rosto de modo que o plástico, em sua infinita maleabilidade, tornou-se menina. A luz da lua que entrava pelas frestas da veneziana fez com que a menina visse: a bola era toda espírito. Fumaças rosas dançavam dentro dela ao som de voz de mãe em canção de ninar. Enfim, alento. Sonhou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;De manhã, foi reprimida pela mãe “Deixa de ser porca, menina!Não tá vendo que essa bola é suja!” De fato, quando passou a mão no rosto sentiu a poeira grudada em sua pele, eram as marcas dos beijos que ganhou do espírito da bola. Gostou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Com o tempo, a casa foi ganhando forma, feição e familiaridade. Os espaços, ocupados de vivência. Ainda faltava colocar muro numa das laterais. Na frente, a mãe plantou rosas rosas, vermelhas, amarelas, brancas e também dálias roxas, beijos multicolores, verdes folhagens, bola rosa. Seu tamanho já estava bastante reduzido,&amp;#160; sua forma era flácida como as do tempo desenhado em pele de gente. As rosas já estavam crescidas e agarrados ao caule, espinhos vigorosos exibiam-se. “Vamos brincar de bobinho?”, sugeriu maldosamente a irmã que arrancou a bola das mãos da menina e piscou para a outra irmã que, sem titubear, aceitou a brincadeira. O talismã passava de mão em mão sem nunca chegar à menina. Então, a bola que já tinha experimentado ser menina e espírito quis saber o que é ser flor. Olhos estatelados no ar. Paralisou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A menina apertou os olhos com força para ter certeza do que via: a sábia bola se aconchegou sobre macios e coloridos beijos. Não fora atraída pela beleza traiçoeira das rosas. Ainda não era hora. Desacreditou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Depois disso o medo tomou conta da menina, não podia contar apenas com a esperteza da bola. O mundo era muito perigoso. “Tata, coloca a minha bola em cima do guarda-roupa pra mim&amp;quot;. Era o melhor a ser feito. Às vezes, sentava na beirada da cama de seus pais e ficava olhando… parecia mais velha, mais murcha, mais triste. Uma crosta de poeira fez morada em sua superfície. De vez em quando a menina pedia para que alguém pegasse a bola e brincava ali mesmo, longe dos perigos. Mas a brincadeira foi se tornando rara e desprovida de graça. A menina agora estava encantada com uma boneca que havia ganhado de sua irmã mais velha. Desmemoriou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Num domingo, chegaram as primas, todas maiores que a menina e como a maioria das meninas maiores, elas eram chatas. Cismaram com a bola. “Vamos brincar de bobinho!”. O coração da menina apertou. “Não”. A mãe percebeu o atrito e&amp;#160; foi até o quarto ver o que acontecia. Subiu numa cadeira e jogou a bola no chão dizendo à filha que não fosse rediqueira e deixasse as primas brincar. “Bola não foi feita pra ficar guardada”, arrematou a mãe. Emburrou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A menina esperou a mãe sair do quarto e pulou furiosamente em cima da prima que estava com a bola nas mãos, arrancou-lhe o tão estimado objeto e com ele se enfiou num vão entre a cama e o guarda roupa onde sempre se escondia. Abraçando a bola também com as pernas, a menina se deu conta de que crescera na mesma proporção que o brinquedo havia murchado.Tudo lhe sobrava. Esticou.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;As primas puseram-se a fazer chacota da ira infantil: &amp;quot;Deixa o bebezinho agarrado na bola&amp;quot;. &amp;quot;Olha parece uma rã!” A menina não se movia. Então, uma das primas ardilosamente: “Você sabe o que tem dentro dessa bola?” Silêncio. “Ela era bem maior antes, não era?” Porque tinha mais espíritos. Mas, como sua prima sabia? “Mais ou menos”. “Você sabe porque as bolas de parque são tão grandes?”. “Não”. “Elas têm um segredo”. “Que segredo?” “Dentro delas tem um filhinho.” Da bola só podia nascer filha. “Mentirosa!” “É verdade”. “Mentira, eu já vi as bolas das outras crianças furar e não tinha nada”.&amp;#160; “Ah! mas o segredo não aparece pra qualquer um, ele só aparece para quem sabe que ele existe.” “Ele aparece pra você?” “O da minha pareceu pra mim, o da sua vai parecer pra você, se você fizer uma coisa…” “O que?” “Você mesma tem que furar sua bola.” Milhares de cores se dissipariam no ar. Talvez a bola realmente tivesse uma filha. “Você pensa que me engana?” “Tá bom! não quer ver o segredo, não veja!” “Tá, mas como é que vou fazer?” A prima revirou a caixinha de costura que estava no quarto . “Toma, fura! Só funciona se for você mesma”. Então, temerosamente a menina furou. A explosão dos risos das primas encobriu o doloroso vento que saía da bola. “Rá, rá, rá, rá, rá, rá!” Não viu nascer a filha do ar. Chorou.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-5854333858450953036?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/5854333858450953036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2010/01/bola.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/5854333858450953036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/5854333858450953036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2010/01/bola.html' title='A bola'/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-574770883192531119</id><published>2009-09-19T20:43:00.000-07:00</published><updated>2010-01-26T11:29:18.485-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miudeza de palavra e outros contos da Menina'/><title type='text'></title><content type='html'>Miudeza de palavra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras lançam clarões sobre o mundo, mas quando se é pequena, a luz cega:uma coisa não quer dizer só uma coisa, é preciso que o ar seja domado por dentes, língua e lábios para que o som se desenhe exato. É difícil se apropriar do mundo e fazer-se entender por ele. Junto com as palavras vêm as pessoas, ou será o contrário? Pessoas das quais ela nunca ouviu uma palavra sequer, eram um poço de mistério. Como aquele velhinho que mancava, pai do seu Artino, tinha um chapéu de feltro esverdeado e encardido, usava bengala e a única coisa que ela vira sair de sua boca era o repugnante movimento da dentadura. Certamente se tratava de um monstro. Será, que se algum dia o tivesse ouvido falar se convenceria do contrário?&lt;br /&gt;Vó Audócia ela ouvira diversas vezes e duvidava um pouco da sua condição de bruxa. Talvez fosse má só às escondidas. Todas as crianças da rua gostavam da negra senhora que também usava dentadura, mas a  dela não mexia dentro da boca. Às vezes, quando Audócia aparecia sem a dentadura, sua boca ficava murchinha e a menina chegava a se convencer de que ela não era bruxa coisa nenhuma. Pagava doce às crianças, pedia para lhe buscarem cigarro e dava-lhes o troco. Paçoquinhas, corações de abóbora e batata. Como era bom girar o baleiro de vidro, ouvir aquele ranger chacoalhante e colorido das balas e rodar a tampinha de alumínio embaçado pelos dedos sujos das crianças...Infinidade de doçuras. &lt;br /&gt;Não, definitivamente, alguém capaz de proporcionar alegria tão singela não poderia ser bruxa. Mas é que vó Audócia usava sempre aquele roupão roxo em conjunto com aquelas chinelas de pano no mesmo tom, que lembrava as cores do velório de um vizinho, o caixão era de um roxo brilhante igual ao do roupão da vó Audócia. Além disso, a vó comia inçá. Está certo que era divertido  caçar os bichinhos: Todas as crianças pegavam varetas compridas e finas e saquinhos plásticos, iam para um grande campo de futebol de terra vermelha, enfiavam as varetinhas nas casinhas dos bichinhos e voltavam com dezenas de insetos para o gosto da vó Audócia. Como recompensa, recebiam dinheiro para o doce.As cabeças dos insetos eram arrancadas e suas bundinhas eram fritas em óleo bem quente, o cheiro era insuportavelmente forte. Depois, misturadas com farinha de mandioca serviam ao paladar da vó que comia com as mãos. Comer aquelas formigas só podia ser coisa de bruxa! Sem contar que por diversas vezes vira no fundo do quintal da velha bonequinhos com agulhas espetadas.&lt;br /&gt;Mas ela não falava como bruxa e as palavras, vou te contar, as palavras confundem a gente, principalmente gente miúda. Certa vez, um amigo de seu pai passava na rua perguntou a ela:&lt;br /&gt;– Tudo bem?&lt;br /&gt;E ela que estava verdadeiramente envolvida com uma questão prática que lhe atormentava respondeu com a sinceridade que convém a uma criança:&lt;br /&gt;– Não, a calcinha da Xuxuca arrebentou?&lt;br /&gt;O homem, ao vê-la com uma boneca na mão ignorou o problema. Ele não perguntara se estava tudo bem? Ela respondeu. &lt;br /&gt;As palavras são realmente muito complicadas. As pessoas dizem o que não querem dizer e não dizem o que querem ou, pensam dizer uma coisa quando na verdade dizem outra. É muito difícil fazer-se entender.&lt;br /&gt;Naquela noite estava com uma de suas irmãs na casa de uma vizinha que se chamava Mônica, na sua concepção este nome não podia pertencer à amiga de sua irmã, pois já pertencia a uma certa boneca dentuça muito famosa, mas parece que os adultos não entendiam isso. Para a menina, o fato da amiga da sua irmã ser dentuça não era mera coincidência.&lt;br /&gt;Aliás, os nomes das pessoas são palavras que para as crianças trazem em si alguns mistérios, por exemplo, não tem o menor cabimento uma criança ter na infância o mesmo nome que terá quando adulto, pois para uma criança é muito claro que é incoerente um adulto se chamar Gisele ou Gustavo. Tamanho foi o susto da menina ao descobrir que seu nome a acompanharia pelo resto da vida. Não era possível, outros amiguinhos pensavam como ela, inclusive, brincavam de escolher os seus nomes para quando ficassem velhinhos, é óbvio que nomes como Ana ou Antonio combinam muito mais com “Dona” e “Seu”, porque afinal de contas, não era assim que seriam tratados?&lt;br /&gt;Bem, voltando àquela noite na casa da Mônica (atenção, a amiga e não a boneca!), mais um nome veio se meter na vida da menina. Estava ela sentadinha num canto da cozinha medindo seu alcançe sobre o mundo, dizendo em voz baixa o nome de tudo que ali estavam: mesa, cadera, chão, tapete, amário e...&lt;br /&gt;– Ô Tata, lá em cima como é que chama? Disse a menina apontando o dedo para o teto da casa.&lt;br /&gt;A irmã olhou sem muito interesse, pois conversava sobre algum namoradinho com amiga adolescente, e secamente respondeu:&lt;br /&gt;– Telhado.&lt;br /&gt;Enquanto Mônica respondeu ao mesmo tempo:&lt;br /&gt;– Teto.&lt;br /&gt;– Telhado ou teto? - Indagou a menina.&lt;br /&gt;– Os dois! Responderam as adolescentes.&lt;br /&gt;E a menina continuou a listar: telhado, teto, alto, céu...&lt;br /&gt;– Ô Tataaaa! Céu é teto ou telhado?&lt;br /&gt;– Como assim menina?&lt;br /&gt;– O nome do céu é teto ou telhado?&lt;br /&gt;– Céu é céu, teto é teto e telhado é telhado!&lt;br /&gt;Como ainda não dominava as palavras complicadíssimas, calou-se e continuou a listar: geladera, fugão, panela, pia, copo, plato, pato, não, não esse é bichinho...&lt;br /&gt;– Tata, como é que fala o nome daquilo mesmo?&lt;br /&gt;– Ai que saco! Daquilo o quê?&lt;br /&gt;– Ali ó, em cima da pia, aquilo que a gente come nele.&lt;br /&gt;– Prato.&lt;br /&gt;– Ah! Prato.&lt;br /&gt;E continuou: janela, tornera, póta, gatu...&lt;br /&gt;– E aquele bichinho ali em cima da geladera?&lt;br /&gt;– Mônica, fala com ela que eu já tô perdendo a paciência!&lt;br /&gt;– É um pingüim, pequena. Agora brinca aí quietinha pra gente poder conversar, tá bom?&lt;br /&gt;Ao lado do pingüim a menina descobriu algo, coberto por uma capinha rosa xadrez. Levantou-se, aproximou-se da geladeira e começou a pensar no que seria aquilo, será que era um outro pingüim? Ou seria algo que sentia frio, pois estava coberto, ou estaria coberto porque ninguém podia ver? Certamente, se perguntasse à sua irmã novamente levaria uns petelecos. Então, arrastou vagarosamente a cadeira, subiu com alguma dificuldade e quando suas mãozinhas tentavam tocar o misterioso objeto. A mãe de Mônica chegou na cozinha e segurou a menina em seu colo dizendo:&lt;br /&gt;– O que vocês duas estão fazendo aqui que não tomam conta da menina? Quase que ela despenca no chão!&lt;br /&gt;As moças olharam surpresas e não disseram nada. Enquanto a menina insistia no seu intento:   &lt;br /&gt;– Dona Cida, como que chama o nome daquilo ali ó?&lt;br /&gt;– Onde?&lt;br /&gt;– Ali, em cima da geladera.&lt;br /&gt;– Eu já falei que é pingüim. Interferiu Mônica.&lt;br /&gt;– Não, o outro!&lt;br /&gt;– Qual?&lt;br /&gt;– Ali, de ropinha cor de rosa.&lt;br /&gt;– Ah! É o LIQUIDIFICADOR! Agora vai brincar e não suba mais em nada porque é perigoso. E vocês, fiquem de olho nela que eu vou ver a novela. &lt;br /&gt;Ninguém tirou a capinha para que ela pudesse ver. A menina sentou no mesmo cantinho e ficou tentando decifrar o que seria aquele objeto de nome tão difícil e por várias vezes tentou repetir dizer: liquidor, ficador, quificador...&lt;br /&gt;Foi com sua irmã para casa, dormiu e acordou com aquela palavra na cabeça. Brincou, comeu e aquela palavra não lhe saia da cabeça. Vó Audócia pediu para ela ir lhe comprar cigarros. A menina ganhou o troco como de costume, mas antes de ir comprar doces não resistiu e perguntou:&lt;br /&gt;- Vó, o que é quificador?&lt;br /&gt;- O coração, minha filha, o coração é que fica dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-574770883192531119?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/574770883192531119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/08/miudeza-de-palavra-tinha-mais-ou-menos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/574770883192531119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/574770883192531119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/08/miudeza-de-palavra-tinha-mais-ou-menos.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-9028618613146307837</id><published>2009-09-15T13:57:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T16:55:37.380-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DEVANEIOS EM VERSO'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POESIAS'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/SrAAq3Kb_YI/AAAAAAAAACo/_UQNWm1goo4/s1600-h/Foto+Vinny.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/SrAAq3Kb_YI/AAAAAAAAACo/_UQNWm1goo4/s200/Foto+Vinny.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381802291069975938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;a fixidez insiste luz&lt;br /&gt;a sombra insiste fluxo &lt;br /&gt;a terra insiste cio&lt;br /&gt;a palavra insiste imagem&lt;br /&gt;e a vida segue fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-9028618613146307837?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/9028618613146307837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/09/fixidez-insiste-luz-sombra-insiste.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/9028618613146307837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/9028618613146307837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/09/fixidez-insiste-luz-sombra-insiste.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/SrAAq3Kb_YI/AAAAAAAAACo/_UQNWm1goo4/s72-c/Foto+Vinny.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-6067875016601288193</id><published>2009-08-02T14:55:00.000-07:00</published><updated>2009-08-23T16:21:58.753-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miudeza de palavra e outros contos da Menina'/><title type='text'></title><content type='html'>O céu &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ariana estava no céu. A escada era alta demais e por mais que a menina chamasse:&lt;br /&gt;  - Vem brincar, vem!&lt;br /&gt;Ariana não respondia, seus gritos desciam os degraus chegando ao ouvido da menina que não entendia porque a amiga se recusava a brincar. &lt;br /&gt;Por várias vezes se esconderam embaixo da escada, eram mães das bonecas, mostravam a língua para as meninas chatas da rua... Mas Ariana não queria nada. Sua avó lhe ofereceu um copo de água com açúcar, ela também não quis. A menina ficou com vontade, mesmo imersa em sua preocupação teve tempo de imaginar como devia ser gostoso água com açúcar.  Ariana recusou e permaneceu ali, sentada no alto da escada gritando dolorosamente.&lt;br /&gt;A menina teve medo de se aproximar, o jeito da amiga a deixava assustada. Sentou-se na outra extremidade da escada e ficou tentando achar alguma coisa que fosse capaz de atrair Ariana e fazê-la feliz outra vez, como nas tardes em que as duas rodavam no balanço até ficarem tontas. Uma torcia a corda para a outra e viam o mundo girar num entrecortar de imagens, depois, tinham de ficar em pé para ver quem suportava mais a embriaguez da infância.&lt;br /&gt;Seria preciso levar Ariana até o balanço, mas ela criara raízes na escada. Estava pensando numa solução quando a irmã mais nova da Ariana se aproximou:&lt;br /&gt;- Vamos brincar, vamos?&lt;br /&gt;A irmã da Ariana era uma das meninas chatas da rua. &lt;br /&gt;- Não quero brincar com você! Disse com a língua para fora tornando a frase quase ininteligível.&lt;br /&gt;A irmã deu de ombros e saiu com suas cinco chupetas: uma no nariz, outra no ouvido, duas na boca e uma pendurada ao pescoço. Ela ainda era muito criança, chupava chupeta.  A da menina estava em cima do telhado, pois um dia a Ariana:&lt;br /&gt;- Se a gente jogar nossas chupetas em cima do telhado elas vão ficar lá para sempre e nós vamos ser amigas pra sempre também.&lt;br /&gt;A menina gostou da idéia, e assim o fizeram.Colocaram as duas chupetas dentro de um saquinho, amarraram com uma fitinha cor-de-rosa, deram nós, contaram até três e num ritual muito puro lançaram as doces borrachas ao telhado da menina. Desde aquele dia as duas nunca mais chuparam chupeta, quando a vontade aparecia, logo pensavam que caso pedissem outra chupeta talvez o pacto perderia o valor. Existem coisas com as quais as crianças não brincam. Então, muito de vez em quando, escondidas uma da outra, elas chupavam o dedo.&lt;br /&gt;Agora, Ariana não queria mais brincar, não respondia.Será que estava de mal? Talvez as chupetas não estivessem mais lá, algum bicho poderia ter rasgado o saquinho, talvez as tivesse levado... O coraçãozinho da menina foi ficando apertado:&lt;br /&gt;- Ariana, levanta um pouquinho, vê se o nosso saquinho ainda está lá em cima da minha casa.&lt;br /&gt;Não era uma casa exatamente, era um barraco de madeira com telhas cinzas e onduladas.Ariana morava no céu. Da cozinha se podia ver toda a casa da menina. Era tudo tão alto ou ela é que era tão pequena? &lt;br /&gt;Ariana não se mexeu, a menina sentiu um impulso de subir pelo menos até o meio da escada, onde já se poderia avistar o telhado. Assim, caso as chupetas não estivessem lá o desespero de sua amiga estaria explicado então, era só achar um jeito de resolver. Não teve coragem de subir, pois os gritos a empurravam para baixo. Pareciam vozes de bicho.&lt;br /&gt;A mãe da Ariana chegou do trabalho e perguntou se a filha sentia algo, ao que ela respondeu:&lt;br /&gt;- Ai, minha cabeça!&lt;br /&gt;Então, era isso, era dor de cabeça.  A menina já havia sentido dor de cabeça depois de passar o dia todo rodando no balanço, ou depois de assistir muita televisão. Ariana tomou o remédio que sua mãe lhe deu chorou lágrimas constantes e disse:&lt;br /&gt;- Eu quero uma chupeta.&lt;br /&gt;A menina estremeceu.&lt;br /&gt;- Cadê sua chupeta? Perguntou a mãe.&lt;br /&gt;- Eu quero chupeta! Berrou.&lt;br /&gt;Era o fim daquela amizade, Ariana não resistiu, pediu a chupeta. A menina ficou cheia de indignação, pois ela também sentira vontade, mas nunca fraquejou. Sugava o dedo para que a amizade não fosse sugada. &lt;br /&gt;- Onde você enfiou sua chupeta? A mãe de Ariana perguntava.&lt;br /&gt;- Não sei! Ela respondia olhando para menina que imóvel na ponta da escada trazia em seu olhar o despontar úmido da dor.&lt;br /&gt;A avó e a mãe de Ariana procuravam desesperadamente a chupeta, a fim de fazer com que aqueles gritos cessassem. Então, a irmã mais nova surgiu e com ela o pedido:&lt;br /&gt;- Dá uma chupeta pra mim!&lt;br /&gt;- Não, você tem a sua.&lt;br /&gt;- Dá uma chupeta pra mim! Ai, minha cabeça!&lt;br /&gt;Nesse último grito Ariana esmoreceu. Sua mãe chegou a tempo de impedir que ela rolasse da escada. Pegou-a nos braços e saiu em busca de um vizinho que tivesse um carro para levá-la ao médico. A menina correu para casa, subiu até o ponto mais alto do pé de amora que ficava no quintal. Devia existir ali algum galho através do qual ela pudesse alcançar o telhado, pegar a chupeta e dizer para Ariana que não tinha importância, que elas podiam ser amigas mesmo chupando chupeta. Mas não deu, o galho era fino demais, teve medo. Ficou ali no alto do pé de amora, encolhidinha como fruta que não vingou.&lt;br /&gt;Começou a escurecer, sua mãe começou a berrar:&lt;br /&gt;- Ô menina vira-lata, cadê você!&lt;br /&gt;Desceu silenciosa e dolorosamente da árvore na qual ficou a tarde inteira olhando para o telhado. As chupetas ainda estavam lá. Ela estava no alto, Ariana estava no alto. As chupetas não estavam no céu.&lt;br /&gt;No outro dia, logo pela manhã, viu a mãe da Ariana sair chorando de dentro de um carro de polícia.  &lt;br /&gt;- Minha filha, minha filhinha! Repetia em prantos.&lt;br /&gt;Depois, chegou um carro com um caixãozinho. Havia muita gente na casa da Ariana.  A menina viu sua mãe, que quase nunca chorava, derramar uma lágrima ao pegá-la pela mão e dizer:&lt;br /&gt;- Sabe a Ariana, ela está no céu...&lt;br /&gt;No céu do telhado, do pé de amora ou do alto da escada? Em que céu estaria Ariana? Foi com sua mãe até a casa da amiga e viu o corpinho envolto em flores no meio da sala. Dona Madalena Roleira, que vendia roupas usadas trouxe um vestidinho branco e uma tiara de flores. &lt;br /&gt;- É um anjinho. Disse Madalena.&lt;br /&gt;Num canto da sala a irmãzinha de Ariana chorava e a menina que até agora não havia dito nada se aproximou dizendo com fúria:&lt;br /&gt;- Por que você não deu a chupeta pra ela? &lt;br /&gt;As pessoas em volta tentaram acalmá-la. Ariana chegou ao céu porque a chupeta não alcançou há tempo o céu de sua boca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-6067875016601288193?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/6067875016601288193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/08/o-ceu-da-boca-ariana-estava-no-ceu.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/6067875016601288193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/6067875016601288193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/08/o-ceu-da-boca-ariana-estava-no-ceu.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-5376244283857254447</id><published>2009-06-21T08:56:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T12:28:15.703-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A barata e outros contos da moça'/><title type='text'></title><content type='html'>Nota&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comia chocolates enquanto as buzinas tentavam hipnotizar a chuva, crendo ser a voluptuosidade do líquido vertical a verdadeira causa do cessar. Os faróis traduziam sua fadiga num longo piscar que se derramou por toda a imensa fila de carros e, quanto mais os motoristas pisavam no verbo, mais a imobilidade se instaurava. Desejava não estar ali, mas não fora possível sair em outro horário.Uma longa nota-não-executada num dado momento do dia ressoava ainda.&lt;br /&gt;Enquanto o cacau derretido perdia-se entre os pelos gustativos de suas papilas, seus ouvidos continuavam atentos.Ela procurou a nota no bramir do teto metálico agredido pelas gotas espessas; no escorrer regular intermitentemente interrompido pela borracha do para-brisa. Não estava lá. Procurou no barulho do portão automático que revelava a garagem, no apito do alarme; ainda não estava lá. &lt;br /&gt;Despertou do rumor das roldanas que a elevava graças ao solavanco e ao ranger da porta. Não encontrava a nota no tilintar das chaves, nem no giro dos botões do fogão, nem no roçar do garfo e da faca .&lt;br /&gt;Quase enxergou a nota no dispersar sinuoso da fumaça que parecia dotá-la da capacidade de aparar todas as arestas, de explicar a chuva, de encontrar seu lugar entre prédios e esquecimentos.A nota delineava-se no vazio quando o telefone tocou imperativo.Retirou o aparelho da base, foi ao banheiro: “Alô” – enquanto o algodão da calcinha deslizava em suas coxas .Convidada pela chuva, que ainda caía, a urina tocou a branca e fria louça. “Primeiramente, gostaríamos de agradecer, senhora, por nos conceder a imensa satisfação de tê-la como cliente...” “Chiiiu!” – respondia ela para a urina, estendendo seu indicador sobre os lábios do mundo num pedido encarecido de silêncio. “Se a senhora tivesse trinta mil reais, a senhora saberia o que fazer com esse dinheiro?” “Hum ... humm”. “Então, economizando apenas um real e sessenta e cinco centavos por dia, a senhora pode... Senhora? É muito um real e sessenta e cinco por dia?”. O ronco das barrigas diariamente privadas de um real e sessenta e cinco centavos ecoou, mas não teve forças para argumentar e disse apenas “acho”, frustrando a expectativa do operador de telemarketing que fingiu não entender  e insistiu “Com o título de capitalização...”.Ouviu ainda as últimas gotas de sua urina. Busca inútil. &lt;br /&gt;Prendeu o telefone entre o ombro e a orelha para desenrolar o papel higiênico e a nota girou em sentido contrário desenhando no branco pontilhado o momento da não-execução: Era dia do rodízio de seu carro, então o deixou no estacionamento do metrô mais próximo a fim de pegá-lo à noite. Seguiu seu caminho utilizando o transporte público como sempre fazia às quintas-feiras. Naquele dia teria de trabalhar até mais tarde, fato este que contribuiu para a pontualidade de seu mau humor. Seu dia de trabalho, obedecendo ao princípio da mediocridade, não foi nem mais nem menos pior que os outros. As horas é que irritavam, aquele estender sem fim. Com tantas horas extras talvez pudesse fazer um título de capitalização.&lt;br /&gt;Trabalhara doze horas, comera mal e dormiria pior ainda, sozinha. Há tempos o suor de um homem não regava seus poros e por isso ultimamente o desejo brotava mais vigoroso.Quando saiu do ar condicionado, percebeu que do lado de fora as condições eram outras, chovia. O guarda-chuva havia ficado no carro, todos os colegas já tinham ido para casa. Podia esperar a chuva passar, mas não havia sinal de que a trégua viria tão cedo.Correu dificultosamente sobre seu salto. A estação não era distante.&lt;br /&gt;Os grossos pingos da chuva bolinaram seus seios insinuando as aréolas através do claro tecido. Ao chegar na estação e dar por isso cobriu-se com a maleta impermeável em que levava seu notebook. Pelo menos àquela hora era menor o número de usuários, se entregou ardentemente ao cansaço, de modo que abandonara sobre o colo a maleta e, alguns minutos depois a lembrança da blusa molhada a fizera acordar de sobressalto. Notou então, que o homem que sentara ao seu lado a olhava. Incomodou-se, recolocou a pasta sobre os seios e recuou no banco.&lt;br /&gt;O sujeito não se intimidou, sacou do bolso de sua calça social uma belíssima carteira de couro e começou a conferir de modo extravagante o extrato bancário.Entre uma conferência e outra lançava olhares para ela. O homem continuou o jogo de sedução guardando vagarosamente o extrato e exibindo os inúmeros cartões de crédito.Levantou-se, retirou as chaves do bolso como quem anuncia uma sentença. E ela se sentia culpada, não por arrepiar-se ao imaginar aquela barba varrendo de seu corpo a ausência de vida, mas por perceber que um rapaz que permanecera em pé um pouco mais adiante assistia ao jogo e ansiava saber o resultado. Ela abaixou a cabeça, mas pôde ainda acompanhar o olhar cobiçoso do homem que caminhava a passos lentos em direção à saída. Carregava ainda a esperança de que subitamente ela se levantasse, mas a campainha soou anunciando a não- execução. As portas se fecharam.  A nota estava lá.&lt;br /&gt;Agora, abaixava a calcinha para o título de capitalização, sem que os olhos do mundo a vissem e justamente por isso, o mundo se orgulhava dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-5376244283857254447?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/5376244283857254447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/06/nota-comia-chocolates-enquanto-as.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/5376244283857254447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/5376244283857254447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/06/nota-comia-chocolates-enquanto-as.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-1733435825679339771</id><published>2009-05-13T17:03:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T16:55:37.381-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DEVANEIOS EM VERSO'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POESIAS'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mágua&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nota líquida&lt;br /&gt;encontra a água-vidro&lt;br /&gt;ressoa...&lt;br /&gt;Estilhaça a imensidão,&lt;br /&gt;apelos escorrem&lt;br /&gt;clamorosamente.&lt;br /&gt;O vão da janela:&lt;br /&gt;abrigo seguro para se perder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-1733435825679339771?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/1733435825679339771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/05/magua-nota-liquida-encontra-agua-vidro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/1733435825679339771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/1733435825679339771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/05/magua-nota-liquida-encontra-agua-vidro.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-8466012022222133861</id><published>2009-05-13T16:51:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T16:55:37.382-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DEVANEIOS EM VERSO'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POESIAS'/><title type='text'></title><content type='html'>A língua  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A língua dentro da boca dormia&lt;br /&gt;não se movia...&lt;br /&gt;seus olhos papilentos&lt;br /&gt;somente para o céu da boca olhavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os olhos e as mãos&lt;br /&gt;a convidaram para dançar,&lt;br /&gt;sonolenta, entorpecida e voluntariosa&lt;br /&gt;a língua disse:&lt;br /&gt;– Imobilidade! –&lt;br /&gt;agiu como em hora&lt;br /&gt;que nos falta palavra crucial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah! Músculo úmido lambente,&lt;br /&gt;você não é coração&lt;br /&gt;que involuntariamente se faz ouvir,&lt;br /&gt;és subalterna ao desejo meu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho incansável tem início&lt;br /&gt;quando olhos e mãos&lt;br /&gt;encontram no corpo do anjo&lt;br /&gt;estendido na cama&lt;br /&gt;o caminho que conduz a um céu&lt;br /&gt;infinitamente maior do que o existente&lt;br /&gt;no universo onde habita a língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, nos prazeres líquidos e múltiplos&lt;br /&gt;a língua experimenta o frenesi e o espasmo&lt;br /&gt;o gemido e o suspiro&lt;br /&gt;a dilatação da carne... contração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a língua jura ser escrava eterna,&lt;br /&gt;aninha-se na boca&lt;br /&gt;e recordando o gosto do céu&lt;br /&gt;em que ainda agora esteve&lt;br /&gt;palpita silenciosa como palavra-coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-8466012022222133861?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/8466012022222133861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/05/lingua-lingua-dentro-da-boca-dormia-nao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/8466012022222133861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/8466012022222133861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/05/lingua-lingua-dentro-da-boca-dormia-nao.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-7401368026257563931</id><published>2009-05-13T15:43:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T12:27:10.416-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A barata e outros contos da moça'/><title type='text'></title><content type='html'>A barata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era muito cedo para estar dentro do ônibus. Há algo de errado com o funcionamento do mundo. São cinco horas da manhã, “é cedo ainda”. “Só mais cinco minutinhos”, é tempo suficiente para toda uma vida.“Só mais cinco minutinhos e uma falta”.É preciso ter uma boa desculpa para uma falta, é preciso não faltar nunca na vida, é preciso estar com ela todos os dias. Os atrasos também não são permitidos, mas tinham acontecido na semana passada, na retrasada e na outra também.&lt;br /&gt;Os minutos multiplicaram-se. Num salto levanta-se, “não vai dar tempo de tomar banho”. Um banho não limparia o que era preciso, nem o tempo o faria. O tempo possui as faltas que a vida não aceita. O ônibus está vazio: senta-se. E gostando da idéia, as pálpebras superiores sentam-se sobre as inferiores. Não há tempo pra sonhar, mas o sonho não tem tempo e vem: um letreiro amarelo faz doer os olhos, as letras movimentam-se impedindo que se leia. O amarelo do sinal e, logo depois, vermelho. Os carros param e a barata sai do saco de lixo que está junto ao ponto de ônibus, movimenta-se com dificuldade, porém vitoriosa por ter se livrado do aperto fétido e escuro do plástico imundo. Duas de suas pernas estão debilitadas, assim como as da moça que impossibilitada de evitar o atraso observa a barata. Desce vagarosamente do saco, da guia e ganha a rua que é grande demais para uma barata manca. Mas os tempos fundem-se no espaço da barata, da moça, do sinal. Cada pedrinha que constitui a irregularidade do asfalto é, para ela, um obstáculo intransponível. Praticamente só seu lado esquerdo se move, arrasta-se silenciosamente no universo das horas. &lt;br /&gt;O trajeto é curto e o sonho vai. Num salto levanta-se e não é amarelo, vermelho é o sinal “droga”. Olha impaciente, para a direção de onde virá o próximo ônibus do trajeto infindável. Quanta impotência. O letreiro amarelo cruza dura e nitidamente, ela pôde ler o destino que acabara de perder “droga!”. &lt;br /&gt;Desce a passos lentos, atravessa a movimentada avenida, chega ao ponto de ônibus “malditos cinco minutinhos”. Olha para o chão e lá está a barata, a grande culpada por todos os desacertos do tempo. A barata exibe suas pernas mancas como troféus, como se dissesse: “vou chegar ao meu destino há tempo”. Desesperada a moça torce para que o sinal abra, não era possível que aquele ser asqueroso conseguisse chegar vivo até o outro lado da avenida. Pensou em acabar com sua inimiga com um pisão, assim ela saberia o quanto as pernas humanas eram livres, e móveis e capazes de findar aquele insulto com um simples gesto. Mas o sinal poderia abrir e talvez não desse tempo de voltar para a calçada, pois a barata já estava quase no meio da rua. Morrer ao tentar matar uma barata, morrer... Que parte do seu corpo o carro atingiria primeiro? Em que momento ficaria inconsciente? Imaginou seus olhos encontrando o olhar assustado do motorista e se fechando na mesma velocidade em que um fio de sangue escorreria pelo para-brisa para sempre. Não, um carro não a mataria. O sinal não estava tão longe, a velocidade não seria grande, daria tempo de o motorista frear. Já a morte da barata, era certa. Sua insignificância não faria nenhum carro parar. A gosma de sua existência ficaria grudada na borracha preta e veloz. &lt;br /&gt;Mas a desgraçada já passava da metade da pista que constituía uma das mãos da avenida e nada do tempo passar. Cada centímetro percorrido era uma afronta à moça cujo corpo era açoitado pelo ácido fio do tempo, “ela não vai conseguir, não vai conseguir...”. Olho no sinal, no carro, na roda, embreagem, câmbio, acelerador, faixa, pés, fins. Mas nada, só a imobilidade e a possibilidade de que ela chegue. Está se aproximando da guia. Ah! Certamente ela não poderá transpor o espelho que rascunha sua infinita insignificância. &lt;br /&gt;Há uma ilha que divide as duas mãos da avenida, nela estão alguns sacos de lixo apoiados em pequenas árvores. Quantas baratas poderiam sair de dentro deles, três, sete, mil, todas a se mexer num brilho farfalhante de asas que nos esfregaria nas fuças a grande ilusão do poder. Não, ela é uma só e, no entanto, faz doer como se fosse mil. Sua minudência só faz com que pareça cada vez maior. Ainda agora a manca maldita escalou toda a guia, alcançou a ilha e fez-se perder de vista. A moça desacredita, estica o pescoço, chega até mais perto da rua e assim que coloca os pés no asfalto o sinal abre, “se eu correr ainda consigo chegar até o outro lado”. Traída por seus pés, encontra-se de novo na calçada. Agora é realmente impossível saber.&lt;br /&gt;“Foi sorte, da próxima ela não passa”. Estava já decidida a esperar o sinal fechar outra vez para ir até o meio da avenida assistir ao espetáculo do esmagamento que aconteceria na tentativa de atravessar a próxima mão. “Foi sorte, pura sorte”, repetia despeitada. Como pode ser correto que baratas tenham sorte? A toda sorte de gente falta sorte. Para ela só tinha faltado a de acordar cinco minutinhos antes. Quando é antes? Antes é sempre tarde demais.&lt;br /&gt;Antes que o sinal feche, ela tenta atravessar, quase daria tempo. Recua. Não daria àquele inseto o gosto de vê-la estendida no meio da rua. É melhor ter calma quando a coragem surge imperiosa. A sucessão de atos corajosos leva à loucura. É preciso ter coragem para levantar da cama, e pegar o ônibus, e encarar o sol, o vento, o frio, os olhos de toda gente te pedindo calma para acreditar que não há nada de errado no fato de tudo isso receber o nome de vida. &lt;br /&gt;Finalmente, o vermelho. Que cor seria o sangue da barata? Como pode ser sangue de barata, se ela atravessa avenidas furiosamente? A passos lentos a moça caminha até a ilha. Já não tem pressa, desfruta a sensação de possuir uma rua. Todos os carros parados, só por sua causa, por seu desejo poderiam matá-la. Pé após pé, as pedrinhas irregulares do asfalto passam desapercebidas sob a majestade humana. Viva às tecnologias que promovem a diminuição de impacto! Viva ao formato anatômico! Viva aos tênis com amortecedores que podem ser adquiridos pela bagatela de várias manhãs com sono! O pagamento é facilitado, pode ser feito em uma, duas, três vezes... a fim de que se prolonguem as manhãs  sem sonho. Mas como recompensa: as pedrinhas da irregularidade asfáltica passam desapercebidas. &lt;br /&gt;Para na ilha ao lado dos sacos de lixo. Procura a barata, não a encontra. Talvez tivesse desistido de atravessar tão inconseqüentemente e resolveu andar pela ilha até a faixa de pedestres para que fossem maiores as chances de sucesso. As baratas estão mais habituadas a fugir de pés, antes eles que as rodas. “Seriam sábias as bichinhas?”. Avaliou o despropósito de seus pensamentos e continuou a procurar. “Onde se enfiou a maldita? Não tenho todo tempo do mundo”. Agradou-lhe a idéia de “todo o tempo do mundo”, afinal que raios seria isso? Ninguém é capaz de dimensionar “todo o tempo do mundo”, é tempo que não cabe em alguém. Imaginou a barata chegando a si empurrando um pacote de presente como um laço rosado e dizendo: “Moça, toma pra você ‘todo o tempo do mundo’”. Mais despropósitos.&lt;br /&gt;“Achei você!”.  Ela estava tentando descer a guia, arrastava-se na verticalidade que é domínio das baratas. Estivesse ela na horizontal e o pisão seria imediato. A moça temeu parecer ridícula tirando o tênis para executar seu propósito. Em casa, quando um inseto desses sobe pelas paredes, alguém desprovido do asco que ele costumeiramente  causa, saca logo a arma certeira para matá-lo. Tinha asco, mas também tinha ódio. Ia tirar o tênis.Olhou em volta para verificar se alguém a observava e viu o próximo ônibus. Tudo aquilo lhe parecia muito estranho já que o próximo ônibus só viria daqui a meia hora, meia barata ou meia vida.Os ponteiros dos velocímetros marcavam impiedosamente os cinco minutos. Daria tempo de matar a barata, correr para o ponto e não faltar, tudo estaria mediocremente em seu devido lugar: a barata na morte e a moça no ônibus.&lt;br /&gt;Com o tênis na mão dá o primeiro golpe.A barata se enfia numa fenda existente na guia e sai ilesa. “Tudo culpa sua”, grita a moça que desesperada procura uma vareta ou qualquer coisa pontiaguda capaz de tirar a barata daquela fortaleza. Abre um dos sacos de lixo e caça obstinadamente a arma eficaz. Sente um nó na garganta “malditos cinco minutinhos”. Chora. Encontra um palito de churrasco, volta-se para a barata e esta já ganhou a rua. O ônibus já passou pelo ponto. O carro também já passou por cima da barata bem no meio da rua. A moça passou a mão no saco de lixo, recostou a cabeça sobre ele, olhou para a pequena mancha que a barata deixou no asfalto e bocejou sussurrando “só mais cinco minutinhos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-7401368026257563931?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/7401368026257563931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/05/barata-era-muito-cedo-para-estar-dentro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/7401368026257563931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/7401368026257563931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/05/barata-era-muito-cedo-para-estar-dentro.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-1763661062042709747</id><published>2009-04-30T19:25:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T12:29:15.434-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A barata e outros contos da moça'/><title type='text'></title><content type='html'>Areia, mar e Ana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias, ao cair da tarde, Ana saía de seu trabalho, pegava o ônibus, descia alguns pontos antes de onde ficava seu pequeno apartamento e ia à praia. Descalçava os sapatos e pisava na areia  como quem planta a si mesmo no solo da razão.&lt;br /&gt;A areia sentia a existência de Ana pousar sobre seus grãos que uniam-se formando a imagem exata do espírito da moça. Não havia cubos, impressão ou expressão nos quadros que se formavam. Eram dança de grãos, apenas. Minúcia de movimento  que, às vezes, delineava palavras. O mar vinha com suas ondas e abraçava os desenhos e devorava as palavras. Era assim que ele ficava sabendo dos segredos daquela mulher.&lt;br /&gt;Ana não sabia disso. Então, sentava de frente pro mar e lhe falava que o trabalho lhe submergia a alma, que as flores dos vasos de sua sacada insistiam em agarrar-se à terra , que a dor enternecia em seu peito por causa do amor ... Em silêncio, falava-lhe tudo.  Ana definitivamente não sabia que o mar, sempre tão ocupado em cantar seus próprios lamentos, não ouvia as vozes provindas dos corações humanos.  A areia, fiel intercessora, é quem transmitia ao mar as confidências de Ana. &lt;br /&gt;Um dia, o tormento de Ana desafiou a areia .Os grãos beliscavam-se odiosamente entre si de modo a descompassar espaço e tempo. Assim, as ondas-retinas do mar não conseguiam decifrar as imagens. Ana se desiludira e decidiu entregar-se ao mar, faria dele seu único amor. Queria com ele partilhar todos os momentos do seu dia. Desejou que ele fosse só seu.Então, na tarde seguinte, Ana voltou à praia e trouxe consigo um vidro transparente onde colocou o mar e o levou para casa, para sempre. Andava com o vidro na bolsa, levava-o a todos os lugares, dormia com ele. Com ele fazia amor. Nunca mais voltou à praia, não queria dividir seu mar com desconhecidos, não queria dividí-lo sequer com o sol.&lt;br /&gt;Com o tempo a areia sentiu falta de Ana. Descobriu que gostava de saber seus segredos. Sentia falta das carícias que lhe fazia a sola de seus pés, do molde macio de suas nádegas, de seu corpo inteiro quando em momentos de entrega Ana se deitava.&lt;br /&gt;Num rompante de fúria, a areia odiou o mar. Sempre ele nas canções, nas pinturas, nos poemas, nas contemplações. Sempre o mar. Teve vontade de ser tempestade e num abrupto movimento desaparecer, todos perceberiam que não é possível aconchegar-se por sobre o mar inquieto. Mas, impotente e resignada, calou sua fúria e sofreu a falta de Ana.&lt;br /&gt;Quando já não havia mais esperanças, Ana voltou. Não era fim de tarde, mas madrugada. A praia estava deserta. A moça devolveu o mar ao mar, deitou-se nua por sobre a areia e uma onda veio cobrir as amantes que se fundiram em gozo indissolúvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-1763661062042709747?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/1763661062042709747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/areia-mar-e-ana-todos-os-dias-ao-cair.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/1763661062042709747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/1763661062042709747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/areia-mar-e-ana-todos-os-dias-ao-cair.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-2032292362736152496</id><published>2009-04-29T15:59:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T12:30:09.283-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A barata e outros contos da moça'/><title type='text'></title><content type='html'>Linha verde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar caminhava entre as pernas embaralhadas em jeans predominante. Uns pés conformavam-se nos tênis, outros explodiam nos sapatos. Chegou a pensar que a mulher do sapato verde tinha alguma deformação nos dedos, pois o bicudo calçado empurrava o dedo correspondente ao anelar . Nunca me ocorreu chamar os dedos dos pés pelo mesmo nome dos das mãos. O caso era que o recorte redondo do sapato verde dava ao dedo um aspecto aleijado, como se o corpo todo o colocasse para dentro enquanto o verde curvilíneo o expulsava. O verde retilíneo também expulsa. Todos os dias. Cinco milhões de pessoas. Então, a mulher não tinha cinco, mas cinco milhões de dedos dentro do sapato. Quando se está embaixo da terra não há muito que olhar.Se estamos em pé, a velocidade do nada causa-nos vertigem.De tempos em tempos um sinal e uma parada: mais gente. Afinal são cinco milhões de dedos.  Quando se está sentado pode-se ver nos pés a deselegância combinada do sapato boneca com a soquete branca; imaginar o contorno e consistência exatos da nádega negra que se exibe à altura dos olhos.O chão é ainda mais chão quando se está na linha verde. Talvez por isso acreditou ter chegado ao chão de si própria e perguntou o que havia lá. Queria chão, não subsolo.A maquinaria férrea rangia n’alma emprestando-lhe a voz que o mundo sorrateiramente vinha lhe roubando. Ao condutor também faltava voz, às vezes. Nova parada: mais gente. O ar morno e úmido de dentro da lata resfria-se com o desencontrar das portas. Vírus proliferam-se, homens digladiam-se em nome do mover quando o desejo mais pungente é parar, apenas. Movem- se braços e lábios em diálogos inaudíveis. Movem-se involuntariamente os cabelos e tecidos com o sopro veloz do hermético ferro em movimento. Move-se o sapato verde em direção à linha azul. Movem-se enfim as pálpebras revelando-se em consistência de sonho metálico. Estridente, o freio arranca-lhe do sono intenso e diminuto. Ao fundo, confundido ao preto emborrachado, sonha o cão. Não havia percebido o animal até então. Seria permitida a inusitada presença? Carregava no pelo o brilho de quem ignora sem culpa as questões humanas. Parecia até que nem com as questões caninas se importava. Ateve por momentânea eternidade seus olhos no cão. Preocupou-se em saber se não estariam sobre ela outros olhos a inquirir observação tão direta.O que estaria a pensar o dono do cão? Seus pés eram daqueles que explodiam nos sapatos. Não eram verdes, mas pretos como o chão, a calça e o cão. Sua camisa exibia um branco imaculadamente engomado.Talvez por isso em princípio tenha pensado que o cão era apenas uma pasta preta típica dos homens que assim se vestem na linha verde. Este, contudo, não exibia o nó na garganta. Não era possível decodificar o pensar do dono do cão, pois as legendas de seus pensamentos boiavam num branco ainda mais claro que o da camisa. Todos o podiam observar sem medo, visto que seus olhos por não refletir, também não refratavam. Vez ou outra piscavam ensaiando o sono dos cegos. Ela olhou ao redor de si. Nem todos olhavam, mas os que o faziam oscilavam entre a inexplicável simpatia pelo cachorro e a compaixão hipócrita pelo cego. É sempre possível cavar mais fundo.O frêmito do vagão ecoa liquidamente. A erosão é lenta e quando menos se espera o buraco lá está, com seus olhos vorazes a nos engolir. E vomitar : Estação Terminal Vila Madalena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila Santos&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-2032292362736152496?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/2032292362736152496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/linha-verde-seu-olhar-caminhava-entre.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/2032292362736152496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/2032292362736152496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/linha-verde-seu-olhar-caminhava-entre.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-2446060874834728260</id><published>2009-04-29T15:36:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T16:55:37.383-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DEVANEIOS EM VERSO'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POESIAS'/><title type='text'></title><content type='html'>Os varais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; no varal do corpo&lt;br /&gt; estendi meus desejos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; do varal da sede &lt;br /&gt; recolhi a saliva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; no varal da dor &lt;br /&gt; sequei a mágoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; me roçou o vento&lt;br /&gt; no varal da memória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; todas as peças ali&lt;br /&gt; tudo oculto e narrado&lt;br /&gt; em meus varais vários&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; hoje, nada suspendo,&lt;br /&gt; me jogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; já não tenho verdes varais&lt;br /&gt; pra estender a realidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-2446060874834728260?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/2446060874834728260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/os-varais-no-varal-do-corpo-estendi.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/2446060874834728260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/2446060874834728260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/os-varais-no-varal-do-corpo-estendi.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-3722426128259932503</id><published>2009-04-29T15:02:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T16:55:37.383-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DEVANEIOS EM VERSO'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POESIAS'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/SfjVfKBCFmI/AAAAAAAAABY/s9AGKwJW7vs/s1600-h/DSCF1160.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/SfjVfKBCFmI/AAAAAAAAABY/s9AGKwJW7vs/s200/DSCF1160.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330244890234328674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Do alto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Elevo o que de mim é visível&lt;br /&gt; aos outros,&lt;br /&gt; abro a porta.&lt;br /&gt; O espaço é suficientemente pequeno&lt;br /&gt; para que a mediocridade se espreguice.&lt;br /&gt; Dispo.&lt;br /&gt; A luz de todas as janelas&lt;br /&gt; suga meus seios,&lt;br /&gt; mas é nos olhos &lt;br /&gt; que habita o líquido vital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-3722426128259932503?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/3722426128259932503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/do-alto-elevo-o-que-de-mim-e-visivel.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/3722426128259932503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/3722426128259932503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/do-alto-elevo-o-que-de-mim-e-visivel.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/SfjVfKBCFmI/AAAAAAAAABY/s9AGKwJW7vs/s72-c/DSCF1160.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-7646586428503133225</id><published>2009-04-06T18:34:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T16:55:37.384-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DEVANEIOS EM VERSO'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POESIAS'/><title type='text'></title><content type='html'>Os peitos da puta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a pele branca e flácida&lt;br /&gt;uma bacia de azuis&lt;br /&gt;reflexo incerto de mares&lt;br /&gt;sempre baixos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentada à margem do mundo&lt;br /&gt;negocia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dedos imersos em fendas&lt;br /&gt;por estrias desenhadas&lt;br /&gt;escavam poesia&lt;br /&gt;dos peitos da puta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-7646586428503133225?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/7646586428503133225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/os-peitos-da-puta-sobre-pele-branca-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/7646586428503133225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/7646586428503133225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/os-peitos-da-puta-sobre-pele-branca-e.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-5468694754873085440</id><published>2009-04-06T17:52:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T16:55:37.385-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DEVANEIOS EM VERSO'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POESIAS'/><title type='text'></title><content type='html'>Idílio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som do silêncio&lt;br /&gt;explodia lá fora.&lt;br /&gt;Deserto,&lt;br /&gt;o concreto urbano&lt;br /&gt;as observava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despidos de gente,&lt;br /&gt;pele em cor&lt;br /&gt;digitais em teia&lt;br /&gt;pêlos em tecido:&lt;br /&gt;corpos costuravam calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a língua,&lt;br /&gt;pintavam nos lábios&lt;br /&gt;uma&lt;br /&gt;da outra&lt;br /&gt;a tela de luz&lt;br /&gt;onde se embalava&lt;br /&gt;o desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que veio&lt;br /&gt;a última ponta do fio&lt;br /&gt;e a última gota de tinta.&lt;br /&gt;O silêncio do som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-5468694754873085440?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/5468694754873085440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/idilio-o-som-do-silencio-explodia-la.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/5468694754873085440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/5468694754873085440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/idilio-o-som-do-silencio-explodia-la.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8574059118135302447.post-3171770241125080064</id><published>2009-04-06T17:27:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T16:55:37.385-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DEVANEIOS EM VERSO'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POESIAS'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;flash&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;o vento indiscreto do lugar&lt;br /&gt;estilhaçou o outrora&lt;br /&gt;derramando em seus olhos&lt;br /&gt;a medida exata do passar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;duas folhas amarraram no tempo&lt;br /&gt;o começo e o  fim do diminuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;num minuto&lt;br /&gt;todo o espaço movente&lt;br /&gt;revelou-lhe o decréscimo de vida&lt;br /&gt;desarranjado no lusco-fusco dos faróis,&lt;br /&gt;no abismo de Pinheiros fétidos,&lt;br /&gt;na passarela &lt;em&gt;per capta&lt;/em&gt;  da capital&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o esparzir do som&lt;br /&gt;cingiu-lhe as arestas do pensar&lt;br /&gt;antes mesmo que ela chegasse&lt;br /&gt;à outra ponta da ponte; ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                        Priscila Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8574059118135302447-3171770241125080064?l=balbu-cioliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/feeds/3171770241125080064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/flash-o-vento-indiscreto-do-lugar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/3171770241125080064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8574059118135302447/posts/default/3171770241125080064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://balbu-cioliterario.blogspot.com/2009/04/flash-o-vento-indiscreto-do-lugar.html' title=''/><author><name>Priscila Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16069253882672055067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_BnSs_xndeqI/TGW_GVp_H2I/AAAAAAAAAC8/bG8Ow_gv7mw/S220/DSC_5017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
