A difícil arte de ser mistério implica na brancura da névoa e na efemeridade do som. No olhar duro da verdade que derrete armadilhas, na cumplicididade entre fio e agulha.
Guardar mistérios implica sentir o gosto do silêncio e salivar profundezas. Implica também alguma intimidade com o inefável que se disfarça de clareza.
Guardar mistérios é segredo explodindo em palavra que só palavra quer ser. É também pausa entre ser e estar para que se conheça a extensão das próprias asas.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Quase crônica
terça-feira, 15 de setembro de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
A língua
A língua dentro da boca dormia
não se movia...
seus olhos papilentos
somente para o céu da boca olhavam.
Quando os olhos e as mãos
a convidaram para dançar,
sonolenta, entorpecida e voluntariosa
a língua disse:
– Imobilidade! –
agiu como em hora
que nos falta palavra crucial.
– Ah! Músculo úmido lambente,
você não é coração
que involuntariamente se faz ouvir,
és subalterna ao desejo meu!
O trabalho incansável tem início
quando olhos e mãos
encontram no corpo do anjo
estendido na cama
o caminho que conduz a um céu
infinitamente maior do que o existente
no universo onde habita a língua.
Então, nos prazeres líquidos e múltiplos
a língua experimenta o frenesi e o espasmo
o gemido e o suspiro
a dilatação da carne... contração!
E a língua jura ser escrava eterna,
aninha-se na boca
e recordando o gosto do céu
em que ainda agora esteve
palpita silenciosa como palavra-coração.
A língua dentro da boca dormia
não se movia...
seus olhos papilentos
somente para o céu da boca olhavam.
Quando os olhos e as mãos
a convidaram para dançar,
sonolenta, entorpecida e voluntariosa
a língua disse:
– Imobilidade! –
agiu como em hora
que nos falta palavra crucial.
– Ah! Músculo úmido lambente,
você não é coração
que involuntariamente se faz ouvir,
és subalterna ao desejo meu!
O trabalho incansável tem início
quando olhos e mãos
encontram no corpo do anjo
estendido na cama
o caminho que conduz a um céu
infinitamente maior do que o existente
no universo onde habita a língua.
Então, nos prazeres líquidos e múltiplos
a língua experimenta o frenesi e o espasmo
o gemido e o suspiro
a dilatação da carne... contração!
E a língua jura ser escrava eterna,
aninha-se na boca
e recordando o gosto do céu
em que ainda agora esteve
palpita silenciosa como palavra-coração.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Os varais
no varal do corpo
estendi meus desejos
do varal da sede
recolhi a saliva
no varal da dor
sequei a mágoa
me roçou o vento
no varal da memória
todas as peças ali
tudo oculto e narrado
em meus varais vários
hoje, nada suspendo,
me jogo
já não tenho verdes varais
pra estender a realidade
Priscila Santos
no varal do corpo
estendi meus desejos
do varal da sede
recolhi a saliva
no varal da dor
sequei a mágoa
me roçou o vento
no varal da memória
todas as peças ali
tudo oculto e narrado
em meus varais vários
hoje, nada suspendo,
me jogo
já não tenho verdes varais
pra estender a realidade
Priscila Santos
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Idílio
O som do silêncio
explodia lá fora.
Deserto,
o concreto urbano
as observava.
Despidos de gente,
pele em cor
digitais em teia
pêlos em tecido:
corpos costuravam calor.
Com a língua,
pintavam nos lábios
uma
da outra
a tela de luz
onde se embalava
o desejo.
Até que veio
a última ponta do fio
e a última gota de tinta.
O silêncio do som.
Priscila Santos
O som do silêncio
explodia lá fora.
Deserto,
o concreto urbano
as observava.
Despidos de gente,
pele em cor
digitais em teia
pêlos em tecido:
corpos costuravam calor.
Com a língua,
pintavam nos lábios
uma
da outra
a tela de luz
onde se embalava
o desejo.
Até que veio
a última ponta do fio
e a última gota de tinta.
O silêncio do som.
Priscila Santos
flash
o vento indiscreto do lugar
estilhaçou o outrora
derramando em seus olhos
a medida exata do passar
duas folhas amarraram no tempo
o começo e o fim do diminuto.
num minuto
todo o espaço movente
revelou-lhe o decréscimo de vida
desarranjado no lusco-fusco dos faróis,
no abismo de Pinheiros fétidos,
na passarela per capta da capital
o esparzir do som
cingiu-lhe as arestas do pensar
antes mesmo que ela chegasse
à outra ponta da ponte; ponto.
Priscila Santos
o vento indiscreto do lugar
estilhaçou o outrora
derramando em seus olhos
a medida exata do passar
duas folhas amarraram no tempo
o começo e o fim do diminuto.
num minuto
todo o espaço movente
revelou-lhe o decréscimo de vida
desarranjado no lusco-fusco dos faróis,
no abismo de Pinheiros fétidos,
na passarela per capta da capital
o esparzir do som
cingiu-lhe as arestas do pensar
antes mesmo que ela chegasse
à outra ponta da ponte; ponto.
Priscila Santos
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